
Para eles a baixa da cidade era um lugar desconhecido.
Ali na berma da estrada o passeio parecia pequenino para
tantas pessoas que corriam de um lado para o outro,
que gesticulavam, que arrastavam caixotes monstruosos,
que vendiam fruta e castanhas .
Também as estradas pareciam estreitinhas, a abarrotarem
de tantos carros e carrinhos com campainhas que os vendedores
de sorvetes tocavam energicamente.
Andaram uns metros (sempre muito juntos para não se
perderem um do outro) e depois sentaram-se nos degraus de
uma loja abandonada.
Decidiram organizar-se e “planificar” (estavam habituados a ver
os crescidos a planificar...
por exemplo, sempre que as mães deles iam ao supermercado,
planificavam as compras num caderno,
ou mesmo a iara quando queria mandar algo para o eddie
planificava numa lista as coisas que tinha que fazer ).
Com um bocadinho de carvão, desenharam no chão duas colunas
e assim nascia a primeira planificação das suas vidas:
“o que queremos” e “como vamos conseguir o que queremos”.
A parte “o que queremos” foi definida sem nenhuma discussão
Anotaram na coluna da esquerda:
a) arranjar dinheiro,
b) comprar tintas ( tintas sim, não era só a azulinha...
o cactinho convencera o popotaminho de que ele
ficaria “monótono” e era pouco fashion ficar só de uma cor,
porque era muito grande... que tinha que usar outra cor...
e o popotaminho, embora não soubesse lá muito bem
o que significava “monótono”,
concordou... achou que ficar “monótono” não devia ser boa coisa ),
c) pintar-se,
d) e, por ultimo, regressar a casa.
Os problemas começaram na coluna “como vamos conseguir
o que queremos”...
Continua...
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