sexta-feira, 2 de julho de 2010

Pedaços de uma Africa minha. (4)


Para eles a baixa da cidade era um lugar desconhecido.

Ali na berma da estrada o passeio parecia pequenino para

tantas pessoas que corriam de um lado para o outro,

que gesticulavam, que arrastavam caixotes monstruosos,

que vendiam fruta e castanhas .

Também as estradas pareciam estreitinhas, a abarrotarem

de tantos carros e carrinhos com campainhas que os vendedores

de sorvetes tocavam energicamente.

Andaram uns metros (sempre muito juntos para não se

perderem um do outro) e depois sentaram-se nos degraus de

uma loja abandonada.

Decidiram organizar-se e “planificar” (estavam habituados a ver

os crescidos a planificar...

por exemplo, sempre que as mães deles iam ao supermercado,

planificavam as compras num caderno,

ou mesmo a iara quando queria mandar algo para o eddie

planificava numa lista as coisas que tinha que fazer ).

Com um bocadinho de carvão, desenharam no chão duas colunas

e assim nascia a primeira planificação das suas vidas:

“o que queremos” e “como vamos conseguir o que queremos”.

A parte “o que queremos” foi definida sem nenhuma discussão

Anotaram na coluna da esquerda:

a) arranjar dinheiro,

b) comprar tintas ( tintas sim, não era só a azulinha...

o cactinho convencera o popotaminho de que ele

ficaria “monótono” e era pouco fashion ficar só de uma cor,

porque era muito grande... que tinha que usar outra cor...

e o popotaminho, embora não soubesse lá muito bem

o que significava “monótono”,

concordou... achou que ficar “monótono” não devia ser boa coisa ),

c) pintar-se,

d) e, por ultimo, regressar a casa.

Os problemas começaram na coluna “como vamos conseguir

o que queremos”...

Continua...

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