
A iara queria saber tudo,
mas não era por curiosidade nem por desconfiar dos seus meninos:
era porque sentia uma alegria enorme ao perceber a felicidade com
que eles se preparavam para a viagem.
Os dois estavam ansiosos por ver o amigo,
um amigo que ainda não conheciam.
Do eddie só sabiam o que ela havia contado.
Aquela vontade de quererem estar junto dele,
o tentarem fazer tudo para ele ficar feliz,
a preocupação com a escolha dos presentinhos,
o terem-se pintado, tudo a encantava.
E não, a iara nunca se zangaria com eles por causa desta entrega total,
porque ela é uma pessoa que acredita na entrega total,
mas tinha que se preocupar com algumas coisas horrivelmente praticas:
por exemplo, se já tinham todos os documentos prontos, com fotografias e tudo,
como explicar as autoridades de cá e de lá os corpos agora azuis?
E a tinta... A tinta poderia fazer-lhes mal...
Por isso ralhava, só por isso.
Mas eles não se calavam.
A tarde na cidade tinha que ser toda contada (o popotaminho dizia mesmo:
“ toda contadinha como deve ser”).
Afinal, para além de não quererem a iara triste,
tinham orgulho em mostrar-lhe como fora a sua primeira viagem independente,
sem papás nem vóvós nem ninguém a controlar!
Estavam aninhadinhos no colo dela, tapados com um edredon fofo e quente,
e assim ficaram por muito mais tempo...
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