quinta-feira, 1 de julho de 2010

Pedaços de uma Africa minha. (3)


A iara queria saber tudo,

mas não era por curiosidade nem por desconfiar dos seus meninos:

era porque sentia uma alegria enorme ao perceber a felicidade com

que eles se preparavam para a viagem.

Os dois estavam ansiosos por ver o amigo,

um amigo que ainda não conheciam.

Do eddie só sabiam o que ela havia contado.

Aquela vontade de quererem estar junto dele,

o tentarem fazer tudo para ele ficar feliz,

a preocupação com a escolha dos presentinhos,

o terem-se pintado, tudo a encantava.

E não, a iara nunca se zangaria com eles por causa desta entrega total,

porque ela é uma pessoa que acredita na entrega total,

mas tinha que se preocupar com algumas coisas horrivelmente praticas:

por exemplo, se já tinham todos os documentos prontos, com fotografias e tudo,

como explicar as autoridades de cá e de lá os corpos agora azuis?

E a tinta... A tinta poderia fazer-lhes mal...

Por isso ralhava, só por isso.

Mas eles não se calavam.

A tarde na cidade tinha que ser toda contada (o popotaminho dizia mesmo:

“ toda contadinha como deve ser”).

Afinal, para além de não quererem a iara triste,

tinham orgulho em mostrar-lhe como fora a sua primeira viagem independente,

sem papás nem vóvós nem ninguém a controlar!

Estavam aninhadinhos no colo dela, tapados com um edredon fofo e quente,

e assim ficaram por muito mais tempo...

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