sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Eu sou assim...

Vou falar de gostar, porque te gosto.
Amo a minha patria,
terra de acacias,
e de mar,
e de corais,
e de flores e frutas doces.
Terra de lagrimas negras,
e de sorrisos quase perfeitos,
e de batuques dentro da noite,
e de ilhas,
e de sol,
e de chuvas selvagens,
e de tudo.
Por isso continuarei com esse pais no coração
Amo muitas memorias,
os dias da infancia,
os amigos,
amo as guitarras tristes num fado qualquer,
amo as viagens,
amo andar sem destino.
Amo o olhar sereno e azul da minha bisavo.
Tenho muitas memorias lindas de amar,
amo o hoje,
amo o olhar as pessoas e imaginar as suas historias,
amo o brincar com os caracois do meu irmao,
amo a coragem dos que lutam por qualquer verdade.
Amo aquela que me conduz na vida real e me pergunta se a febre já baixou.
amo as noites,
e as manhas,
e gosto te.
Quando digo gosto te,
sei que estou a falar de amor.
Posso entregar me a umaduasvintemil mulheres,
podes entregar te a um doisvintemil homens,
podemos ama los perdidamente,
estas a 700/800 quilometros de mim e isso não interessa,
este é um querer estranhamente total,
não há posse,
não há ciumes,
não há perguntas,
só entrega,
respostas e confiança.
Tristeza quando o silencio é demais
ou entao uma alegria maluca,
e ao mesmo tempo tudo e nada,
e como te disse uma vez,
é o querer misturar o meu sangue no teu,
e o suor,
e o semen,
e a saliva,
e as lagrimas,
Tudoooo,
Isto não é um romance.
Isto é um sonho.
Gosto te assim menina pequenina.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Pedaços de uma Africa minha. (5)


Enquanto contavam a sua grande aventura,

iam percebendo que a iarinha não estava zangada.

O popotaminho tinha a cabeça junto ao seu peito

(achava engraçado o tic-toc-tic-toc do coração dela)

e o cactinho estava aninhado nos seus braços, muito quietinho.

- Ela tá a fazer-me festinhas e uma pessoa zangada não faz festinhas

na cabeça de ninguém! - segredou o cactinho ao amigo,

que estava de olhos fechados e de dedo na boca,

e que de vez em quando abanava a caudinha branca.

Arranjar dinheiro...

Não imaginavam de quanto iriam precisar,

mas sabiam que tinham pouco, 40.meticais para a ida,

mais 40 meticais para o regresso...

Sobravam 120 meticais...

Era mesmo muito pouco para quem

tinha que comprar tinta e pagar a pintura.

Não havia muitas hipóteses:

pedir á porta do mercado não lhes agradava

(o que as pessoas pensariam deles dois,

assim gordinhos e de roupas novas e lavadas, a pedirem esmola?

de certeza que achariam que estavam a brincar

ou que eram preguiçosos!).

Fazerem um trabalho qualquer era a solução.

Mas o queeeee?!?...

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Pedaços de uma Africa minha. (4)


Para eles a baixa da cidade era um lugar desconhecido.

Ali na berma da estrada o passeio parecia pequenino para

tantas pessoas que corriam de um lado para o outro,

que gesticulavam, que arrastavam caixotes monstruosos,

que vendiam fruta e castanhas .

Também as estradas pareciam estreitinhas, a abarrotarem

de tantos carros e carrinhos com campainhas que os vendedores

de sorvetes tocavam energicamente.

Andaram uns metros (sempre muito juntos para não se

perderem um do outro) e depois sentaram-se nos degraus de

uma loja abandonada.

Decidiram organizar-se e “planificar” (estavam habituados a ver

os crescidos a planificar...

por exemplo, sempre que as mães deles iam ao supermercado,

planificavam as compras num caderno,

ou mesmo a iara quando queria mandar algo para o eddie

planificava numa lista as coisas que tinha que fazer ).

Com um bocadinho de carvão, desenharam no chão duas colunas

e assim nascia a primeira planificação das suas vidas:

“o que queremos” e “como vamos conseguir o que queremos”.

A parte “o que queremos” foi definida sem nenhuma discussão

Anotaram na coluna da esquerda:

a) arranjar dinheiro,

b) comprar tintas ( tintas sim, não era só a azulinha...

o cactinho convencera o popotaminho de que ele

ficaria “monótono” e era pouco fashion ficar só de uma cor,

porque era muito grande... que tinha que usar outra cor...

e o popotaminho, embora não soubesse lá muito bem

o que significava “monótono”,

concordou... achou que ficar “monótono” não devia ser boa coisa ),

c) pintar-se,

d) e, por ultimo, regressar a casa.

Os problemas começaram na coluna “como vamos conseguir

o que queremos”...

Continua...

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Pedaços de uma Africa minha. (3)


A iara queria saber tudo,

mas não era por curiosidade nem por desconfiar dos seus meninos:

era porque sentia uma alegria enorme ao perceber a felicidade com

que eles se preparavam para a viagem.

Os dois estavam ansiosos por ver o amigo,

um amigo que ainda não conheciam.

Do eddie só sabiam o que ela havia contado.

Aquela vontade de quererem estar junto dele,

o tentarem fazer tudo para ele ficar feliz,

a preocupação com a escolha dos presentinhos,

o terem-se pintado, tudo a encantava.

E não, a iara nunca se zangaria com eles por causa desta entrega total,

porque ela é uma pessoa que acredita na entrega total,

mas tinha que se preocupar com algumas coisas horrivelmente praticas:

por exemplo, se já tinham todos os documentos prontos, com fotografias e tudo,

como explicar as autoridades de cá e de lá os corpos agora azuis?

E a tinta... A tinta poderia fazer-lhes mal...

Por isso ralhava, só por isso.

Mas eles não se calavam.

A tarde na cidade tinha que ser toda contada (o popotaminho dizia mesmo:

“ toda contadinha como deve ser”).

Afinal, para além de não quererem a iara triste,

tinham orgulho em mostrar-lhe como fora a sua primeira viagem independente,

sem papás nem vóvós nem ninguém a controlar!

Estavam aninhadinhos no colo dela, tapados com um edredon fofo e quente,

e assim ficaram por muito mais tempo...

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Pedaços de uma Africa minha. (2)

Quase que atropelavam as palavras para contar tudo, tudinho.

Os dois queriam que a iarinha acreditasse que se tinham portado bem

(continuavam a pensar que ela tinha chorado por causa do

passeio) e, por isso, não descansavam enquanto não lhe dissessem

todos os pormenores daquela tarde.

Entretanto, ela já lhes tinha preparado um jantar alternativo,

pois o inicialmente previsto estava esturricado ,lol,

e isto não queria dizer que alguém não sabia cozinhar(ahh! e não,

o jantar alternativo não era salsichas com ovos estrelados e batata frita ) lol.

Nas tacinhas novas da Ceramicarte a iara pusera amoras, baguinhos de uvas muito

doces, cerejas, morangos, castanhas de caju (sem sal), cereais, mel.

O cheiro a carvão do esturricado do jantar ainda invadia a casa,

misturado agora aos perfumes do banho que se evaporavam dos corpos daqueles dois.

Era tarde, mas estava deliciada a ouvi-los...

Continua...