quarta-feira, 14 de julho de 2010

Pedaços de uma Africa minha. (5)


Enquanto contavam a sua grande aventura,

iam percebendo que a iarinha não estava zangada.

O popotaminho tinha a cabeça junto ao seu peito

(achava engraçado o tic-toc-tic-toc do coração dela)

e o cactinho estava aninhado nos seus braços, muito quietinho.

- Ela tá a fazer-me festinhas e uma pessoa zangada não faz festinhas

na cabeça de ninguém! - segredou o cactinho ao amigo,

que estava de olhos fechados e de dedo na boca,

e que de vez em quando abanava a caudinha branca.

Arranjar dinheiro...

Não imaginavam de quanto iriam precisar,

mas sabiam que tinham pouco, 40.meticais para a ida,

mais 40 meticais para o regresso...

Sobravam 120 meticais...

Era mesmo muito pouco para quem

tinha que comprar tinta e pagar a pintura.

Não havia muitas hipóteses:

pedir á porta do mercado não lhes agradava

(o que as pessoas pensariam deles dois,

assim gordinhos e de roupas novas e lavadas, a pedirem esmola?

de certeza que achariam que estavam a brincar

ou que eram preguiçosos!).

Fazerem um trabalho qualquer era a solução.

Mas o queeeee?!?...

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