
Enquanto contavam a sua grande aventura,
iam percebendo que a iarinha não estava zangada.
O popotaminho tinha a cabeça junto ao seu peito
(achava engraçado o tic-toc-tic-toc do coração dela)
e o cactinho estava aninhado nos seus braços, muito quietinho.
- Ela tá a fazer-me festinhas e uma pessoa zangada não faz festinhas
na cabeça de ninguém! - segredou o cactinho ao amigo,
que estava de olhos fechados e de dedo na boca,
e que de vez em quando abanava a caudinha branca.
Arranjar dinheiro...
Não imaginavam de quanto iriam precisar,
mas sabiam que tinham pouco, 40.meticais para a ida,
mais 40 meticais para o regresso...
Sobravam 120 meticais...
Era mesmo muito pouco para quem
tinha que comprar tinta e pagar a pintura.
Não havia muitas hipóteses:
pedir á porta do mercado não lhes agradava
(o que as pessoas pensariam deles dois,
assim gordinhos e de roupas novas e lavadas, a pedirem esmola?
de certeza que achariam que estavam a brincar
ou que eram preguiçosos!).
Fazerem um trabalho qualquer era a solução.
Mas o queeeee?!?...
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